PEC que elimina escala 6x1 volta à análise da CCJ nesta quarta-feira
CCJ da Câmara retoma análise da PEC 221/2019 que extingue escala 6x1 nesta quarta. Projeto paralelo do Executivo tramita com urgência.
RedaçãoColaborador
23 de abril de 202618:03
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara retoma nesta quarta-feira (22) a análise da PEC 221/2019, que visa eliminar a jornada de trabalho 6x1. A sessão está agendada para 14h30.
O texto propõe extinguir o regime atual de seis dias laborais seguidos por um de descanso. A proposta também estabelece redução gradual da jornada semanal de 44 para 36 horas ao longo de uma década.
## Retorno após vista solicitada
A matéria volta à pauta depois que deputados da oposição pediram vista na sessão anterior. Paulo Azi (União-BA), relator da proposta, já sinalizou parecer favorável à admissibilidade da PEC 221.
O deputado baiano avalia que a redução de jornada não encontra obstáculos constitucionais. Sua aprovação na CCJ seria o primeiro passo para o avanço da proposta no Legislativo.
## Comissão especial em preparação
Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, indicou que criará comissão especial para análise aprofundada caso a PEC 221 seja aprovada. O colegiado terá entre 10 e 40 sessões para emitir parecer.
Como esse processo pode durar meses, Luiz Inácio Lula da Silva enviou projeto de lei com urgência constitucional na semana passada. A proposta presidencial prevê jornada de 40 horas semanais.
O projeto com urgência deve ser votado em 45 dias, sob pena de trancar a pauta do plenário. Resta saber qual estratégia será mais efetiva para alterar a legislação trabalhista?
## Unificação de iniciativas
A PEC 221/2019 reuniu propostas dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (PSOL-RJ). Os parlamentares defendem mudanças nas regras vigentes de jornada laboral.
Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego, esclareceu que as duas tramitações não são concorrentes. Se a PEC for aprovada no prazo, o projeto de lei perde objeto, explicou.
"O rito da PEC é mais demorado do que o PL. O PL vai avançar e pode ser que entre em vigor a redução de jornada de trabalho e depois se consolide por PEC", disse Marinho.
## Blindagem constitucional
O ministro ressaltou que aprovação posterior da PEC garantiria blindagem constitucional à mudança. Isso evitaria reversões futuras da redução de jornada, citando precedente argentino como exemplo.
Motta reconheceu que envio de projeto com urgência constitucional é prerrogativa do Executivo. Garantiu, porém, que a Câmara manterá tramitação da PEC 221 independentemente.
Os próximos dias definirão qual caminho legislativo prevalecerá na alteração das normas trabalhistas. A votação na CCJ testará o apoio parlamentar à proposta, enquanto o prazo de 45 dias do projeto presidencial intensifica a pressão temporal sobre o debate da redução de jornada no país.
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