Um levantamento sobre práticas de transparência em entidades assistenciais do Distrito Federal foi divulgado pelo Observatório DF nesta semana. O estudo examinou mecanismos de prestação de contas e governança em organizações que recebem verbas públicas ou privadas para ações sociais. Os dados revelam que o DF possui mais de 800 organizações da sociedade civil cadastradas que executam atividades assistenciais. Do total, cerca de 200 mantêm alguma forma de repasse governamental ou estabeleceram parcerias com órgãos públicos. ## Estruturas de fiscalização nas entidades O mapeamento indica que 85% das organizações examinadas mantêm conselhos fiscais ativos. Contudo, a divulgação pública de relatórios anuais de atividades ocorre em apenas 60% das entidades analisadas. Segundo Roberto Martins, cientista político da UnB, a transparência no terceiro setor é essencial para preservar a credibilidade pública. "Instituições que administram recursos voltados para populações em vulnerabilidade devem demonstrar clareza em suas operações", observa o especialista. ## Investigações em andamento O documento reconhece que o setor atravessa dificuldades na área de prestação de contas. Diversos casos encontram-se sob apuração de órgãos fiscalizadores, incluindo episódios que envolvem possíveis irregularidades com recursos destinados a famílias vulneráveis. Em relação aos instrumentos de controle, o Observatório DF constatou que 40% das entidades empregam plataformas digitais para gestão financeira. A expectativa é de ampliação desse índice nos próximos dois anos. ## Sugestões para aprimoramento O relatório apresenta cinco propostas centrais para fortalecer a governança no terceiro setor. Entre as medidas, destaca-se a implementação de protocolos uniformes de prestação de contas e a execução de auditorias externas regulares. Como conciliar rapidez nas ações assistenciais com rigor nos controles? O Observatório DF indica que tecnologia e capacitação podem facilitar esse equilíbrio. Informações da Secretaria de Desenvolvimento Social apontam que as organizações sociais assistiram aproximadamente 150 mil pessoas em situação vulnerável no DF durante 2023. O aporte público direto no setor alcançou R$ 45 milhões no período. ## Ações futuras O Observatório DF pretende promover encontros com dirigentes de organizações sociais nos próximos meses. A meta é compartilhar as melhores práticas de transparência e governança identificadas no levantamento. A instituição também confirmou que manterá um serviço permanente de orientação para entidades que desejam aperfeiçoar seus sistemas de controle interno. Vale destacar que o fortalecimento das organizações sociais impacta diretamente as comunidades atendidas. Analistas consideram que o estudo do Observatório DF fomenta uma discussão fundamental sobre qualidade e transparência no setor assistencial. A implementação efetiva das sugestões apresentadas será acompanhada através de monitoramento sistemático durante os próximos 18 meses, período em que novos parâmetros de governança serão confrontados com os indicadores atuais.