Real se valoriza e atinge menor cotação em dois meses com Ibovespa em alta de 1,39%
O real brasileiro registrou forte valorização nesta quinta-feira e atingiu a menor cotação desde 7 de março. A moeda americana encerrou o pregão a R$ 4,952, enquanto o Ibovespa subiu 1,39% e encerrou sequência de seis pregões negativos.
A valorização do real ocorreu em contexto de enfraquecimento global do dólar americano. Investidores buscaram ativos em países com juros elevados, beneficiando o Brasil mesmo após o início do ciclo de afrouxamento monetário.
Política monetária sustenta atratividade dos ativos
O Banco Central reduziu a Selic para 14,50% ao ano na decisão de quarta-feira. A taxa permanece em patamar alto comparado aos juros americanos, mantidos pelo Federal Reserve entre 3,50% e 3,75%.
O diferencial de juros favorece a entrada de capital estrangeiro no Brasil. O comunicado do Copom sinalizou cautela nos próximos cortes, tranquilizando investidores sobre a condução da política monetária.
Fluxo cambial beneficia mercado doméstico
A combinação de cenário externo favorável e perspectivas internas criou ambiente propício para investimentos. Recursos estrangeiros migraram para ativos brasileiros, movimento característico de momentos de apetite por risco em emergentes.
Em abril, o real acumulou ganhos de 4,38% frente ao dólar. No acumulado do ano, a valorização já soma 9,77%, posicionando a moeda entre as de melhor performance mundial.
Euro também recua em meio ao movimento global
O euro comercial fechou a R$ 5,811 com desvalorização de 0,48%. A cotação representa o menor valor desde 24 de junho de 2024, refletindo o movimento mais amplo de fortalecimento do real.
A moeda europeia acompanha a tendência de enfraquecimento das principais divisas internacionais. O movimento beneficia importadores brasileiros e reduz pressões inflacionárias externas.
Bolsa interrompe série negativa com entrada de recursos
O Ibovespa encerrou aos 187.318 pontos com alta de 1,39%. O desempenho foi impulsionado pelo fluxo de capital externo e reavaliação das perspectivas econômicas.
A sinalização de cortes graduais da Selic fortalece expectativas de estabilidade. Analistas avaliam que essa percepção pode sustentar o mercado acionário nos próximos meses.
Commodities mantêm instabilidade por tensões geopolíticas
O petróleo apresentou alta volatilidade durante a sessão. Os preços chegaram a superar US$ 120 por barril devido às tensões no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel.
O Brent encerrou em US$ 110,40, praticamente estável. O WTI ficou em US$ 105,07 com queda de 1,69%. As oscilações refletem incertezas sobre o fornecimento global da commodity.
Qual será o impacto dessas movimentações nos próximos pregões? Indicadores do mercado de trabalho demonstram solidez da economia brasileira, sugerindo menor espaço para cortes agressivos de juros.
A sustentação da valorização do real e da recuperação do Ibovespa dependerá da manutenção do ambiente externo favorável. A evolução dos dados econômicos domésticos e a condução da política monetária pelo Banco Central serão determinantes para a continuidade do movimento. Investidores aguardam sinais sobre o ritmo dos próximos cortes da Selic e seus impactos na atratividade dos ativos brasileiros.


