Sistema de transporte público do DF atinge níveis pré-pandemia com 800 mil passageiros diários
Sistema de transporte público do DF atinge níveis pré-pandemia com 800 mil passageiros diários, sendo uma das poucas regiões brasileiras.
RedaçãoColaborador
02 de abril de 202603:50
A Secretaria de Transporte e Mobilidade confirmou que o Distrito Federal atingiu patamar de 800 mil passageiros diários no transporte público. O volume representa retorno aos níveis observados antes da pandemia de covid-19, colocando a capital entre as raras regiões do país a alcançar recuperação integral.
A mobilidade urbana no DF contrasta com cenário nacional, onde capitais ainda operam com redução de 15% a 30% comparado ao período anterior à crise sanitária. Levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos confirma que maioria dos sistemas brasileiros mantém déficit significativo de usuários.
## Digitalização elimina circulação de dinheiro físico
A universalização do pagamento digital, concluída em julho de 2024, extinguiu uso de dinheiro em espécie no sistema. As 1.247 linhas de ônibus e duas linhas do metrô funcionam exclusivamente com cartão Mobilidade, vale-transporte ou cartões bancários por aproximação.
Segundo Zeno Gonçalves, secretário de Transporte e Mobilidade, a continuidade da oferta durante a pandemia preservou confiança dos usuários. A pasta manteve 2.100 ônibus circulando mesmo nos momentos mais críticos da emergência sanitária.
## Plano Diretor passa por atualização com universidade
O Plano Diretor de Transporte Urbano está sendo revisado em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina. O documento atualizado, com previsão para meados de 2025, deve adequar mobilidade urbana às transformações demográficas da década.
A população do DF expandiu 18% desde 2010, alcançando 3,1 milhões de habitantes espalhados por 35 regiões administrativas. A infraestrutura viária recebeu R$ 2,8 bilhões em investimentos federais e distritais nos últimos quatro anos, incluindo duplicação da BR-080/DF e melhorias em 15 vias estruturais.
## Periferia enfrenta desafios de conectividade
Como explicar que algumas áreas periféricas ainda registram cobertura inadequada de transporte público? O problema reflete expansão urbana acelerada das últimas duas décadas. Sol Nascente, Arniqueira e Vicente Pires abrigam 400 mil habitantes, mas dependem de conexões complexas para chegar ao Plano Piloto.
Carlos Brasília, urbanista da Universidade de Brasília, observa que ampliação do sistema não seguiu ritmo de ocupação territorial. O especialista defende priorização de corredores exclusivos e sistemas de média capacidade para integrar extremidades da cidade.
A Companhia do Metropolitano projeta construção de sistema BRT conectando Samambaia ao centro de Brasília até 2027. O investimento de R$ 800 milhões deve atender 180 mil usuários diários das regiões Sul e Sudoeste.
## Congestionamentos mantêm tempos elevados de deslocamento
O tempo médio de trajeto casa-trabalho permanece em 52 minutos, segundo pesquisa origem-destino da Companhia de Planejamento. O indicador supera média nacional de 43 minutos e evidencia gargalos estruturais da mobilidade urbana local.
Eixão Sul registra velocidade média de 18 km/h entre 7h e 9h, enquanto Estrada Parque Núcleo Bandeirante opera com 15 km/h no mesmo horário. Faixas exclusivas para ônibus cobrem apenas 12% da malha viária prioritária, limitando fluidez do transporte público.
O Fundo Distrital de Transporte Público e Mobilidade Urbana, instituído em 2023, assegurou R$ 150 milhões anuais para custeio e expansão. A legislação estabelece percentual fixo do orçamento distrital destinado ao setor, independentemente de mudanças políticas.
## Gratuidade estratégica amplia demanda nos finais de semana
A gratuidade aos domingos e feriados, implementada em 2023, elevou demanda em 35% nos fins de semana. O governo analisa extensão da medida para sábados e períodos de menor ocupação, como entre 10h e 15h nos dias úteis.
A integração tarifária entre ônibus e metrô deve ser expandida com criação de estações multimodais. O projeto prevê cinco terminais de integração até 2026, conectando principais regiões administrativas ao sistema de alta capacidade.
A consolidação das políticas de mobilidade urbana implementadas pelo DF enfrentará teste definitivo nos próximos anos, quando crescimento populacional projetado de 8% demandará nova ampliação da capacidade instalada. O desafio fundamental permanece na garantia de acesso eficiente ao transporte público, particularmente nas regiões mais afastadas do núcleo administrativo da capital.
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