Reajuste de 18% no querosene de aviação adiciona R$ 1 por litro aos custos das aéreas
Petrobras aumenta querosene de aviação em 18%, adicionando R$ 1 por litro. Guerra no Irã pressiona preços do petróleo internacional.
RedaçãoColaborador
05 de maio de 202620:02
A Petrobras anunciou na sexta-feira (1º) aumento de 18% no preço do querosene de aviação. O ajuste resulta em acréscimo de R$ 1 por litro em relação ao valor praticado no mês anterior.
O combustível utilizado por aeronaves comerciais representa 45% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras, conforme dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). A decisão da estatal ocorre durante período de volatilidade no mercado internacional de petróleo.
## Guerra no Irã pressiona preços globais
O conflito iniciado em 28 de fevereiro com ataques americanos e israelenses contra o Irã provocou distúrbios significativos na cadeia produtiva mundial. A região abriga importantes países produtores e controla rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz.
Por essa passagem circulam 20% da produção mundial de petróleo. O Irã tem respondido aos ataques com bloqueios parciais do estreito, intensificando as pressões sobre os preços.
O barril tipo Brent atingiu cotações próximas de US$ 120 nos últimos dias. Antes do conflito, o óleo era negociado perto de US$ 70, configurando elevação superior a 70% no período.
## Parcelamento busca minimizar impactos
Para atenuar os efeitos sobre o setor aéreo nacional, a Petrobras oferecerá às distribuidoras a possibilidade de parcelar parte do reajuste em seis prestações. A primeira parcela será cobrada somente em julho de 2026.
A estratégia replica medida adotada no mês anterior, quando o querosene de aviação sofreu reajuste de 55%. A companhia busca manter a demanda pelo produto e garantir o funcionamento regular do mercado.
"Dentro de um contexto excepcional causado por questões geopolíticas, a Petrobras oferece uma alternativa que contribui para a saúde financeira de seus clientes", declarou a empresa em comunicado oficial.
## Comercialização e participação de mercado
A Petrobras comercializa o querosene diretamente com distribuidoras, responsáveis pelo transporte e revenda nos aeroportos brasileiros. A estatal mantém aproximadamente 85% da produção nacional, embora o mercado permaneça aberto à concorrência.
Qual é o modelo de precificação adotado? A companhia utiliza fórmula estabelecida há mais de duas décadas para definir os valores do querosene de aviação. O sistema busca equilibrar mercados doméstico e internacional, funcionando como mecanismo de amortecimento de curto prazo.
## Governo federal implementa medidas de apoio
Em resposta ao cenário, o governo federal zerou em 8 de março as alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre o querosene de aviação. A isenção tributária vigorará até 31 de maio.
O pacote de apoio inclui ainda postergação de tarifas de navegação aérea e disponibilização de R$ 9 bilhões em crédito via BNDES e Fundo Nacional de Aviação Civil.
## Comparação com mercados internacionais
Segundo esclarecimentos da Petrobras, os reajustes aplicados nos principais mercados internacionais foram superiores aos observados no Brasil durante o período. Os preços externos são ajustados com maior frequência, refletindo de forma imediata as oscilações das cotações globais.
Para analistas do setor, no entanto, a questão central permanece sendo a duração do conflito no Oriente Médio e seus desdobramentos sobre a oferta mundial de petróleo.
A sustentabilidade das medidas mitigatórias implementadas pelo governo e pela Petrobras será testada nos próximos trimestres. O setor aéreo brasileiro enfrentará o desafio de equilibrar custos operacionais crescentes com a preservação da demanda por viagens, especialmente em cenário de prolongada instabilidade geopolítica.
Redação
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Colaborador editorial.
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