A plataforma DF 360 da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal passou a aceitar a integração de câmeras de segurança particulares. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, dois meses após o lançamento do sistema de videomonitoramento. A iniciativa permite que pessoas físicas e jurídicas vinculem seus equipamentos de monitoramento à rede oficial de segurança. Atualmente, o DF 360 opera com 1,7 mil câmeras espalhadas pelo território distrital. ## Distribuição atual do sistema DF 360 Do total de equipamentos ativos, 1.371 pertencem diretamente à SSP-DF. Outros 151 são de órgãos públicos parceiros, enquanto 174 já são de estabelecimentos privados. Os dados mostram crescimento expressivo desde fevereiro. Em dois meses de operação, o DF 360 registrou resultados operacionais significativos. O sistema contribuiu para a prisão de mais de 30 pessoas com mandados pendentes. Também auxiliou na localização de 17 desaparecidos e na recuperação de mais de 60 veículos subtraídos. O secretário Sandro Avelar destacou o caráter participativo da medida. "Com isso, fortalecemos a ideia de fazer segurança pública com participação da sociedade civil", afirmou. A integração identifica câmeras em posições estratégicas para apoiar as forças de segurança. ## Expansão das centrais de monitoramento O subsecretário de Modernização Tecnológica, Gustavo Tarragô, informou sobre a instalação de 96 centrais nos próximos dois meses. Cada batalhão da PM, grupamento dos Bombeiros e delegacia da Polícia Civil terá sua central específica. Atualmente, 66 Centrais de Monitoramento Remoto já foram distribuídas entre as unidades. A descentralização do DF 360 visa reduzir o tempo de resposta às ocorrências reportadas pelo sistema. ## Processo de cadastramento para câmeras privadas Proprietários interessados devem acessar o site oficial do DF 360 para realizar o cadastro. O processo requer conta gov.br e inclui preenchimento de dados da entidade. É necessário também assinar termo de cessão de uso de imagem. A estratégia busca ampliar a cobertura de monitoramento sem demanda por novos investimentos públicos. Contudo, especialistas questionam a efetividade de sistemas baseados apenas em videomonitoramento. O criminologista João Santos, da UnB, pondera sobre as limitações da tecnologia. "Câmeras são ferramentas importantes, mas não substituem o policiamento ostensivo nas ruas", avalia. "É preciso avaliar se os recursos investidos em tecnologia não deveriam priorizar o aumento do efetivo". ## Questões jurídicas da integração A incorporação de equipamentos privados ao DF 360 levanta questionamentos sobre privacidade e gestão de dados. O modelo demanda protocolos claros para acesso às imagens e definição de responsabilidades. A Defensoria Pública do DF ainda não se manifestou sobre possíveis implicações jurídicas da iniciativa. A legislação sobre uso de imagens de segurança em espaços privados integrados a sistemas públicos segue em discussão no Congresso. Os próximos meses serão decisivos para avaliar a efetividade do DF 360 expandido. Os indicadores criminais poderão demonstrar o real impacto da ampliação do monitoramento por câmeras no Distrito Federal. O sucesso dependerá tanto da adesão populacional quanto da capacidade das forças de segurança em processar o volume crescente de informações visuais coletadas pelo sistema.