Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente conduz operação em Jacarepaguá
Dois homens foram detidos nesta quinta-feira (7) durante operação que desmantelou uma fábrica clandestina de linha chilena em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro. A ação foi conduzida pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente da Polícia Civil fluminense.
O material apreendido consiste em linha chilena, substância altamente perigosa fabricada com elementos cortantes de grande resistência. A legislação estadual veda sua comercialização, uso, porte e posse desde novembro de 2017.
Crescimento alarmante nas ocorrências estaduais
Os registros oficiais indicam escalada preocupante nos casos envolvendo linha chilena. O ano de 2025 computou 1.203 denúncias, mais que duplicando em relação às 561 ocorrências de 2024. Entre janeiro e março de 2026, já foram documentados 110 episódios.
A linha chilena é produzida mediante mistura de vidro moído e cola, resultando no material conhecido como cerol. Durante a operação desta quinta-feira, os investigadores encontraram estrutura organizada de produção e distribuição para múltiplos estados brasileiros.
Segundo apuração policial, a descoberta da fábrica resultou de cruzamento de dados e trabalho de inteligência. Os agentes identificaram que o local operava como centro de fornecimento de material ilícito para diversas regiões do país.
Motociclistas enfrentam maior risco de ferimentos graves
O material cortante representa ameaça severa para condutores de motocicletas, especialmente na região cervical. Os ferimentos podem variar desde cortes superficiais até mutilações e óbitos.
Em abril deste ano, Leandro Rezende Cardoso, motociclista de 45 anos, perdeu a vida após ter o pescoço seccionado por linha chilena no bairro de Cascadura, zona norte carioca. O caso ilustra a gravidade dos riscos associados ao uso deste material.
A norma estadual também abrange a linha encerada, confeccionada com quartzo moído, algodão e óxido de alumínio. Qualquer produto destinado à prática de empinar pipas que contenha elementos cortantes está incluído na proibição.
Impactos se estendem à infraestrutura urbana
Os perigos da linha chilena transcendem os acidentes com motociclistas. O material também compromete redes elétricas e representa risco para animais domésticos e silvestres.
Durante a apreensão, policiais recolheram significativa quantidade de linha chilena e equipamentos utilizados na fabricação clandestina. A operação evidenciou a escala da produção ilegal no local.
Especialistas em segurança pública questionam se operações isoladas conseguem efetivamente reduzir a produção clandestina. O combate eficaz requer articulação entre diferentes órgãos e monitoramento sistemático dos canais de distribuição.
Como demonstram os números crescentes de denúncias, o problema persiste apesar das medidas legais vigentes. A questão central é determinar se as estratégias atuais de repressão são adequadas para enfrentar a proliferação do material ilícito.
A mensuração da efetividade das ações policiais ocorrerá nos próximos trimestres, quando será possível avaliar se a tendência ascendente das ocorrências será interrompida ou se novas abordagens de combate precisarão ser desenvolvidas pelas autoridades do estado do Rio de Janeiro.
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