Alcolumbre autoriza fatiamento de veto sobre dosimetria penal no Congresso
Presidente do Congresso Nacional divide votação do veto presidencial ao projeto da dosimetria penal, retirando dispositivos sobre progressão.
RedaçãoColaborador
05 de maio de 202611:32
O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), autorizou nesta quinta-feira (30) o fatiamento do veto presidencial ao projeto da dosimetria penal. A decisão retirou da votação os incisos 4 a 10 do artigo 1º do PL 2.162 de 2023, que tratavam especificamente da progressão de penas.
A sessão congressual analisou o projeto que poderia modificar critérios de cálculo de penalidades para condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito. O Parlamento priorizou a pauta sobre dosimetria penal entre mais de 50 vetos presidenciais aguardando deliberação.
## Argumentação técnica para a divisão da votação
O senador amapaense fundamentou sua decisão apontando incompatibilidades com legislação vigente. Alcolumbre sustentou que a manutenção dos dispositivos criaria contradição tanto com o texto original da dosimetria penal quanto com alterações já aprovadas no PL Antifacção.
"O eventual reestabelecimento desses dispositivos seria contrário às vontades expressadas pelo Congresso", afirmou o parlamentar durante os trabalhos legislativos.
A medida dividiu dispositivos que endureceram critérios para progressão de regime prisional, evitando conflito normativo entre diferentes projetos já consolidados pelo Legislativo.
## Oposição governamental questiona procedimento
O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, contestou juridicamente o fatiamento da dosimetria penal. A liderança governamental argumentou ausência de precedente constitucional para segmentar votação de veto integral após conclusão do processo legislativo.
"Após o veto presidencial é impossível fazer fatiamento porque não é mais fase de elaboração do processo legislativo", declarou Rodrigues. O parlamentar apresentou questão de ordem contra a decisão, posteriormente rejeitada pela presidência da sessão.
Especialistas consultados previamente pela Agência Brasil já alertavam sobre possíveis benefícios indevidos da dosimetria penal para criminosos comuns, caso o projeto fosse aprovado integralmente sem modificações.
## Divergências partidárias sobre constitucionalidade
O deputado Pedro Uczai (PT-SC), líder governamental na Câmara, classificou o PL da dosimetria penal como inconstitucional em seus fundamentos. O parlamentar argumentou que reduzir penalidades para crimes democráticos fragilizaria defesas institucionais contra futuras tentativas de ruptura.
Em contrapartida, a deputada Bia Kicis (PL-DF) apoiou o fatiamento como solução juridicamente adequada. A parlamentar defendeu que a medida previne "efeitos indesejados" que comprometeriam coerência do ordenamento jurídico recentemente estruturado pelo Congresso.
## Histórico do veto presidencial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou completamente o projeto em dezembro, considerando-o inconstitucional e prejudicial ao interesse público. O Palácio do Planalto justificou que a dosimetria penal "daria o condão de aumentar a incidência de crimes contra a ordem democrática".
O projeto original previa modificações no cálculo de penalidades para crimes de tentativa de golpe de Estado e abolição do regime democrático. Quando cometidos no mesmo contexto, aplicar-se-ia apenas a sanção mais grave, substituindo a soma das penalidades individuais.
A dosimetria penal pode favorecer investigados em inquéritos sobre tentativa de ruptura democrática, incluindo militares de alta patente como Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, e Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil.
## Próximos passos da tramitação
Com o fatiamento consolidado, o Congresso deliberará separadamente sobre dispositivos remanescentes da dosimetria penal. A decisão de Alcolumbre estabelece precedente controverso sobre competências do Legislativo para segmentar vetos presidenciais integrais.
Analistas parlamentares observam que a efetividade do procedimento dependerá da interpretação do Supremo Tribunal Federal sobre eventuais questionamentos constitucionais. A questão da dosimetria penal promete gerar debates jurídicos prolongados sobre separação de poderes e limites do processo legislativo, testando a estabilidade institucional brasileira nos próximos meses.
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