O Distrito Federal passou a adotar um sistema centralizado de gestão orçamentária através do Decreto nº 48.509/2026. A nova estrutura concentra as decisões sobre gastos públicos em um conselho gestor, com objetivo de reduzir em até 25% os contratos de locação de imóveis e serviços terceirizados. Os dados da Secretaria de Economia apontam que o território gastou R$ 2,8 bilhões em contratos administrativos durante 2025. O decreto elimina o sistema anterior de cotas orçamentárias independentes, que permitia às secretarias executar despesas sem supervisão do núcleo central do governo. ## Mudança na autonomia das secretarias Segundo Celina Leão, a gestão orçamentária anterior apresentava falhas de controle. "Os secretários muitas vezes faziam o planejamento orçamentário e apenas encaminhavam as faturas para o governador pagar. Agora, todos os gastos passam por um conselho", declarou a governadora ao CB.Poder. A nova gestão orçamentária mantém inalterados os investimentos considerados prioritários. Saúde, educação e segurança pública continuam protegidos da contenção fiscal, enquanto recursos da festa de aniversário de Brasília foram transferidos para a área da saúde. Essa redistribuição gerou economia de aproximadamente R$ 15 milhões. A medida também congelou criação de cargos e reajustes salariais não obrigatórios, visando conter despesas com pessoal que consomem 65% do orçamento total. ## Manutenção de concursos estratégicos O ajuste preserva concursos públicos para áreas consideradas críticas. Convocações para saúde, educação e segurança foram mantidas devido à necessidade de substituir servidores aposentados. A revisão cadastral dos programas sociais integra o pacote de medidas. O objetivo é eliminar irregularidades e direcionar benefícios para a população em situação de vulnerabilidade social. Economistas avaliam as medidas como necessárias, porém destacam desafios operacionais. "É fundamental que o controle orçamentário não comprometa a qualidade dos serviços públicos essenciais", pondera João Silva, da Universidade de Brasília. ## Perspectiva de organizações especializadas Para o Observatório DF, que monitora finanças públicas do território, as mudanças significam progresso na transparência fiscal. O diretor-executivo da organização afirma que "o modelo anterior permitia gastos sem critério técnico adequado". A gestão orçamentária centralizada enfrenta desafios estruturais do DF. A arrecadação própria representa apenas 38% da receita total, criando dependência de repasses federais. Experiências anteriores mostram dificuldades na implementação de modelos similares. O sistema de contingenciamento de 2019 fracassou devido à resistência das secretarias estaduais. ## Questões sobre implementação A capacidade técnica do conselho gestor será determinante para o sucesso da iniciativa. É necessário equilibrar rigor fiscal com agilidade nos processos administrativos. Qual será o impacto da centralização nos prazos de execução dos projetos governamentais? A pergunta permanece sem resposta definitiva, já que o modelo remove a autonomia orçamentária das pastas. A reestruturação da gestão orçamentária representa mudança substancial na administração fiscal do DF, priorizando supervisão centralizada em detrimento da autonomia setorial. A eficácia dessa nova abordagem será avaliada nos próximos trimestres, quando será possível comparar indicadores de eficiência e qualidade dos serviços públicos com dados do período anterior ao decreto.