GAESP monitora caso de empresário morto com 23 tiros em ação da PM na Pavuna
MP-RJ acompanha investigações sobre morte de Daniel Patrício Santos durante abordagem policial. Dois PMs foram presos por homicídio doloso.
RedaçãoColaborador
04 de maio de 202621:38
O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Rio de Janeiro acompanha as investigações sobre a morte de Daniel Patrício Santos de Oliveira. O empresário de 29 anos foi atingido por cerca de 23 disparos durante ação policial na Pavuna, zona norte do Rio.
O caso foi reportado ao plantão de monitoramento em cumprimento à ADPF 635, denominada ADPF das Favelas. O acompanhamento inclui as apurações desenvolvidas pela Corregedoria da Polícia Militar e pela Delegacia de Homicídios da Capital.
## Detalhes da ação policial
Testemunhas relataram que Daniel estava acompanhado de dois amigos no veículo quando os policiais iniciaram a abordagem. O jovem empresário tentou sinalizar com os faróis do automóvel para indicar que eram moradores locais. Os tiros, entretanto, continuaram sendo disparados.
A Corregedoria prendeu em flagrante dois agentes: o sargento Rafael Assunção Marinho e o cabo Rodrigo da Silva Alves. Os policiais militares respondem por homicídio doloso na esfera da Justiça Militar. O magistrado decidiu manter a prisão após a audiência de custódia.
## Apuração das circunstâncias
O GAESP monitora o andamento das investigações para determinar as circunstâncias da operação policial. As apurações visam identificar possíveis falhas nos procedimentos operacionais e estabelecer responsabilidades de todos os envolvidos, inclusive daqueles ausentes do local.
Karina Paes, viúva da vítima, foi recebida pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. A comissão encaminhará ofício à Corregedoria da PM e à Secretaria de Segurança Pública solicitando informações sobre os protocolos utilizados. O uso das câmeras corporais pelos agentes também será questionado.
## Histórico de violações identificadas
Segundo a deputada Dani Monteiro, presidente da CDDHC, o episódio demonstra um padrão sistemático de violações. A parlamentar destacou indícios graves de uso desproporcional da força e descumprimento de protocolos estabelecidos. Ela mencionou o caso da médica Andrea Marins, morta no mês anterior, exemplificando que tais ocorrências não constituem eventos isolados.
A morte de Daniel Patrício levanta questionamentos fundamentais sobre os procedimentos de abordagem em comunidades. Que medidas a corporação adotará para prevenir a repetição de situações semelhantes?
As conclusões das investigações conduzidas pela Corregedoria e pela Delegacia de Homicídios definirão se ocorreram falhas sistêmicas nos procedimentos ou condutas inadequadas individuais. O monitoramento do MP-RJ busca garantir a apuração completa dos fatos e a responsabilização legal de todos os envolvidos conforme determina a legislação vigente.
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Colaborador editorial.
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