BNDES amplia Move Brasil para R$ 21,2 bilhões com foco em renovação da frota rodoviária
BNDES lança segunda fase do Move Brasil com R$ 21,2 bilhões para renovação de frota rodoviária e redução de juros para 11,3%.
RedaçãoColaborador
05 de maio de 202614:22
O BNDES e o governo federal lançaram na quinta-feira (30) a segunda fase do Move Brasil. O programa destinará R$ 21,2 bilhões para financiamento de renovação da frota rodoviária nacional.
O novo montante representa mais que o dobro dos R$ 10 bilhões da primeira etapa. A fase inicial esgotou todos os recursos em apenas três meses. Mais de mil contratos de financiamento foram assinados no período.
A ampliação do Move Brasil agora inclui ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários. Reboques e carrocerias também passaram a integrar o escopo do programa.
## Redução significativa nas taxas de juros
As condições creditícias melhoraram substancialmente na nova fase do Move Brasil. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou a redução da taxa de juros para 11,3%. As taxas anteriores superavam 14%.
Caminhoneiros autônomos poderão parcelar os financiamentos em até 10 anos. O programa oferece carência de 12 meses para início dos pagamentos.
"Nós resolvemos melhorar as condições, aumentar os prazos de carência, a quantidade de anos para vocês poderem pagar e diminuir a taxa de juros", afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cerimônia.
Do valor total do Move Brasil, R$ 6,7 bilhões vêm diretamente do BNDES. O Tesouro Nacional complementará com R$ 14,5 bilhões. O limite por beneficiário permanece em R$ 50 milhões.
## Gargalos identificados na operacionalização
O presidente criticou a morosidade dos bancos públicos para atender pequenos operadores. Dos R$ 1 bilhão reservados inicialmente para autônomos, apenas R$ 200 milhões foram efetivamente liberados.
A preferência institucional por grandes transportadoras tem prejudicado o acesso dos caminhoneiros individuais ao Move Brasil. "Para o gerente de um banco, é muito melhor receber um cliente só para pedir R$ 2 bilhões, do que receber 1 mil clientes para pegar R$ 2 mil, cada um", observou Lula.
Na segunda etapa, R$ 2 bilhões ficam reservados especificamente para autônomos. A medida busca garantir maior participação deste segmento no Move Brasil.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, enfatizou os critérios ambientais. Quem entregar veículos antigos para reciclagem obterá taxas reduzidas adicionais.
## Expectativas do setor produtivo
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, definiu o Move Brasil como política industrial ampla. "O caminhão, o ônibus, eles são meios. É uma cadeia muito grande", destacou, mencionando transporte de alimentos e commodities.
O modal rodoviário responde por aproximadamente 60% da movimentação de cargas no país. A frota nacional enfrenta alta obsolescência, elevando custos e comprometendo a segurança.
O setor registrou queda nas vendas nos últimos anos. O Move Brasil pretende reverter esta tendência através do crédito subsidiado.
## Perspectivas para implementação
Duas Medidas Provisórias formalizaram a expansão do Move Brasil e o aumento em R$ 2 bilhões da participação da União no Fundo Garantidor para Investimentos. A operacionalização efetiva dependerá da capacidade dos bancos públicos superarem os gargalos identificados na primeira fase.
Mais que isso: será necessário demonstrar que o Move Brasil consegue efetivamente democratizar o acesso ao crédito, incluindo os pequenos transportadores que historicamente enfrentam maiores barreiras institucionais para financiamento de suas operações.
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