A Comissão de Constituição e Justiça do Senado recebeu nesta quarta-feira (29) o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para sabatina destinada à vaga no Supremo Tribunal Federal. O procedimento acontece cinco meses depois do anúncio da indicação pelo presidente Lula para ocupar a cadeira deixada pelo aposentado Luis Roberto Barroso. ## Interpretação humanística da Carta Magna Durante sua fala inicial aos senadores, Jorge Messias ressaltou a importância de uma abordagem humanística na aplicação constitucional. O candidato ao STF afirmou que "a Constituição somente concretiza seus valores fundamentais quando aplicada com o humanismo e diversidade de saberes aqui nesta casa tão presentes". A aprovação da indicação de Jorge Messias depende de maioria qualificada de 41 votos no plenário senatorial. Depois da arguição na CCJ, o nome seguirá para deliberação na comissão e posterior votação em plenário ainda hoje. ## Atraso provocado por divergências no Congresso O prolongamento do processo decorreu de resistências parlamentares ao nome de Jorge Messias. Embora a indicação tenha sido anunciada em novembro de 2025, o envio oficial da mensagem presidencial ao Congresso só ocorreu em abril, devido aos questionamentos na Casa. Conforme levantamento da reportagem, parlamentares contestaram o perfil do indicado e sugeriram alternativas para a posição. Tal cenário criou um impasse que estendeu por meses a definição sobre a nova composição do tribunal superior. ## Formação acadêmica sólida Jorge Rodrigo Araújo Messias construiu sólida formação jurídica. Formou-se em direito pela Universidade Federal de Pernambuco em 2003 e obteve mestrado em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pela UnB em 2018. O doutorado pela mesma universidade foi finalizado em 2024. O currículo acadêmico de Jorge Messias registra 85 trabalhos técnicos publicados, incluindo livros em coautoria sobre questões constitucionais e interpretação jurídica. Entre as publicações estão "Reclamação Constitucional no Supremo Tribunal Federal e Fazenda Pública" e a organização de "Análise Social do Direito: Por uma Hermenêutica de Inclusão". ## Percurso na estrutura da AGU A carreira profissional de Jorge Messias começou como técnico bancário da Caixa Econômica Federal de 2002 a 2006. Em 2006, passou a integrar a AGU na função de Procurador do Banco Central, depois assumindo o cargo de Procurador da Fazenda Nacional via concurso. Na Advocacia-Geral da União, Jorge Messias exerceu funções nas consultorias jurídicas de pastas centrais como Educação, Ciência e Tecnologia, além da Casa Civil. Desde 2023, chefia a AGU como ministro, cargo que mantém durante a tramitação de sua indicação ao STF. O senador Weverton (PDT-MA), relator na CCJ, registrou em parecer a amplitude do currículo apresentado, que lista 26 participações como palestrante em eventos jurídicos. Contudo, como ocorre em todas as indicações políticas para o Supremo, o sucesso de Jorge Messias dependerá mais da negociação política no plenário do que exclusivamente do mérito técnico demonstrado na sabatina. A análise do processo revela que Jorge Messias enfrenta um cenário político complexo no Senado. A efetivação de sua chegada ao STF será definida pela capacidade do governo de articular os votos necessários entre os parlamentares, num momento em que as relações entre Executivo e Legislativo passam por tensões. O desfecho da votação indicará não apenas a composição futura da Corte, mas também a força política do governo Lula no Congresso Nacional.