O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou sua participação no Fórum Democracia Sempre, em Barcelona, para reiterar a proposta de alteração da jornada de trabalho no Brasil. O evento, realizado na Espanha, aconteceu dias após o governo federal encaminhar ao Congresso projeto que visa modificar a escala 6x1. A proposta governamental estabelece redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas. O novo modelo prevê manutenção integral dos salários com dois dias de descanso remunerado. A mudança transformaria o atual sistema de seis dias trabalhados com uma folga em cinco dias de atividade seguidos de dois de repouso. ## Tecnologia deve beneficiar trabalhadores Durante o discurso em Barcelona, Lula apresentou justificativas baseadas nos avanços tecnológicos. "No Brasil, nós estamos discutindo o fim da jornada 6x1. Porque me parece que os ganhos tecnológicos, a sofisticação da produção, só vale para o rico", declarou o presidente. A argumentação presidencial conecta o aumento da produtividade empresarial aos direitos dos trabalhadores de menor renda. Segundo essa perspectiva, os benefícios da modernização produtiva devem ser compartilhados com toda a sociedade. ## Proposta vinculada à credibilidade democrática O presidente brasileiro aproveitou a plataforma internacional para relacionar a discussão trabalhista a questões democráticas mais amplas. "A democracia está perdendo credibilidade porque, muitas vezes, ela não deu resposta aos anseios da sociedade", afirmou Lula diante dos demais líderes presentes. O Fórum Democracia Sempre foi criado em 2024 como iniciativa conjunta entre Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. O encontro de Barcelona, coordenado pelo presidente espanhol Pedro Sánchez, reuniu os presidentes Yamandú Orsi (Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia), Cyril Ramaphosa (África do Sul), Claudia Sheinbaum (México) e o ex-presidente chileno Gabriel Boric. ## Divergências no setor produtivo A alteração da escala 6x1 encontra apoio expressivo em pesquisas de opinião pública recentes. No entanto, representantes empresariais demonstram preocupação com os possíveis impactos econômicos da medida. As principais objeções do setor produtivo concentram-se nos custos operacionais adicionais. A implementação de dois dias de descanso com manutenção salarial demandará reorganização completa das escalas de trabalho em múltiplos segmentos da economia brasileira. Qual seria o real impacto financeiro dessa transformação para as empresas? Estudos preliminares indicam necessidade de contratações adicionais ou redistribuição de horários para manter os níveis de produção. ## Agenda internacional ampliada Além das questões trabalhistas, o presidente utilizou o fórum para abordar temas de política externa. O discurso incluiu críticas a conflitos armados em andamento e defesa do fortalecimento das instituições multilaterais. Essas posições refletem o posicionamento já adotado pelo governo brasileiro em outros encontros internacionais. A estratégia demonstra intenção de vincular políticas domésticas a uma agenda global mais ampla. ## Tramitação no Congresso A proposta de redução da jornada de trabalho enfrentará processo legislativo complexo no Congresso Nacional. O governo precisará construir maioria parlamentar para aprovar as modificações na legislação trabalhista vigente. O debate promete mobilizar diferentes setores da sociedade, incluindo sindicatos de trabalhadores, confederações empresariais e partidos políticos. A viabilidade da proposta dependerá da capacidade do Executivo de articular apoios suficientes entre os parlamentares. A discussão sobre a escala 6x1 no Brasil ocorre em momento de revisão de políticas trabalhistas em diversos países desenvolvidos. A experiência internacional poderá influenciar os debates domésticos sobre os benefícios e desafios da redução da jornada laboral. O resultado dessa tramitação definirá se o país avançará em direção a um modelo de trabalho considerado mais equilibrado por defensores da proposta.