São 5h47 da manhã. Francisca Ribeiro, 41 anos, sai de casa em Planaltina com uma marmita e a bolsa de trabalho. Ela limpa escritórios no Setor Comercial Sul. A distância entre a casa dela e o trabalho é de 47 quilômetros. O tempo de deslocamento: uma hora e cinquenta minutos, nos dias bons.
Francisca faz isso duas vezes por dia. Três horas e quarenta minutos de transporte público diário. Isso é o transporte público do Distrito Federal para quem mora longe. Não é exceção. É rotina.
O que existe — e o que entregou
O Metrô-DF opera com duas linhas e 24 estações, transportando em média 240 mil passageiros por dia útil. Os trens são modernos, climatizados, pontuais na maior parte do tempo.
O sistema BRT tem hoje três corredores operacionais. A previsão é que o Corredor Norte, ligando Planaltina ao Eixo Monumental, entre em operação até o final de 2026. Se entrar — porque prazo de obra no DF é sempre uma promessa com asterisco.
O mapa que a política não quer mostrar
Brasília tem 33 regiões administrativas. Vinte e nove delas não têm metrô. Planaltina, com 230 mil habitantes, fica a 40 quilômetros do centro e não tem metrô. O tempo médio de deslocamento de Planaltina ao Plano Piloto nos horários de pico é de 1h48.
A concessão que pode mudar tudo — ou não
O governo do DF assinou em março de 2026 o contrato de concessão do Metrô-DF. O contrato prevê investimento de R$ 4,2 bilhões em 30 anos. A nova linha conectando Gama ao centro está prevista para 2033.
Pois é. 2033. Para Francisca, que sai de casa às 5h47 hoje, são sete anos de espera. Enquanto isso, às 5h47 da manhã, Francisca já está na parada.


