Senado aprova criação de cadastro nacional de condenados por violência contra mulher
O projeto de lei que institui o Cadastro Nacional de Pessoas Condenadas por Violência contra a Mulher recebeu aprovação final do Senado Federal na última terça-feira. A proposta seguiu para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após tramitar pelas comissões de Direitos Humanos e de Constituição e Justiça.
Sistema nacional de informações sobre agressores
O banco de dados nacional reunirá informações de pessoas com condenações definitivas por feminicídio, estupro, assédio, lesão corporal, perseguição e violência psicológica contra mulheres. A União ficará responsável pela gestão das informações compartilhadas entre órgãos de segurança pública federais, estaduais e do Distrito Federal.
Os dados incluirão nome completo, documentos pessoais, filiação, fotografia, impressões digitais, endereço e detalhes específicos do crime. O projeto preserva o sigilo da identidade das vítimas e estabelece critérios rigorosos para acesso às informações.
Segundo dados do Atlas da Violência, foram registrados 4.519 homicídios de mulheres no Brasil em 2021. Deste total, 68,7% dos casos receberam classificação como feminicídio. Os números evidenciam a continuidade da violência contra a mulher no país, mesmo após a implementação da Lei Maria da Penha.
Expectativas e desafios de implementação
A deputada Silvye Alves, do União-GO, é autora da proposta que agora aguarda decisão presidencial. A senadora Augusta Brito, relatora do projeto na Comissão de Direitos Humanos, considera que o cadastro pode auxiliar no enfrentamento da violência contra mulheres.
"A criação do CNVM, com caráter sancionador e preventivo, pode auxiliar ainda mais no enfrentamento desse tipo de violência", declarou Augusta Brito durante a tramitação.
Especialistas em segurança pública avaliam a medida como avanço na sistematização de dados sobre violência doméstica. Entretanto, a efetividade do sistema depende de regulamentação específica sobre critérios de inclusão e exclusão de informações.
Integração entre sistemas de justiça
A implementação do cadastro nacional enfrentará o desafio de integrar diferentes sistemas de justiça e segurança pública nos estados brasileiros. Experiências anteriores de bancos de dados compartilhados encontraram obstáculos operacionais, incluindo falta de padronização e limitações tecnológicas.
O projeto prevê atualização periódica das informações e acesso restrito aos órgãos autorizados. A regulamentação posterior estabelecerá procedimentos para alimentação do sistema, consultas aos dados e prazos de implementação nacional.
Segundo a senadora Augusta Brito, apesar da criação de normas e políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra mulheres, os crimes têm apresentado aumento. A parlamentar acredita que a perspectiva de inclusão no cadastro pode exercer efeito dissuasório sobre potenciais agressores.
Complemento ao arsenal de proteção
O Cadastro Nacional de Pessoas Condenadas por Violência contra a Mulher representa ferramenta adicional no conjunto de políticas públicas de proteção às mulheres. A medida complementa instrumentos existentes, como medidas protetivas de urgência e monitoramento eletrônico de agressores.
Mas qual será o real impacto desta nova ferramenta na redução dos índices de violência? A resposta dependerá da capacidade de integração entre os diferentes sistemas e da agilidade na atualização dos dados.
A aprovação do projeto soma-se a um sistema mais amplo de prevenção e controle da violência doméstica no território nacional. A efetividade da medida será avaliada conforme a implementação avance e os primeiros resultados do banco de dados sejam mensurados pelos órgãos de segurança pública.

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