Todo candidato a governador tem uma proposta de segurança pública. Câmeras, mais policiais, integração de inteligência, programa social, policiamento comunitário. O que varia — e é aí que o eleitor deveria prestar atenção — é a capacidade de diagnóstico.
Com as eleições de outubro de 2026 se aproximando, a segurança pública — com homicídios crescendo 19% nas cidades-satélites entre 2022 e 2025 — é um dos temas que nenhum candidato pode fingir que não existe.
Celina Leão e a bandeira da segurança
Entre os pré-candidatos que já sinalizaram disputa ao Buriti, Celina Leão — deputada federal pelo PP, ex-vice-governadora do DF — tem a segurança pública como uma de suas principais bandeiras.
Ainda no cargo de vice-governadora, Leão atuou diretamente nas negociações com o governo federal para garantir a manutenção dos repasses do FCDF destinados à segurança. Na Câmara Federal, apresentou dois projetos de lei relacionados à segurança pública distrital: um que cria protocolo nacional para policiamento em eventos de grande porte e outro que estabelece metas de elucidação de homicídios como critério para repasse de verbas federais.
Nas aparições públicas recentes, ela tem defendido o que chama de "segurança inteligente": uso de tecnologia de análise preditiva para reposicionar efetivo policial com base em dados de criminalidade. É um discurso técnico, mais sofisticado do que a média.
As propostas que aparecem em todo candidato
Câmeras de reconhecimento facial. Todo candidato tem. Mas câmera não impede homicídio — no máximo, ajuda a identificar o autor depois. Mais policiais também aparece em todo discurso. O problema é que o DF já tem proporção policial-habitante acima da média nacional. O que falta não é número — é alocação inteligente.
O eleitor da periferia e o que ele quer ouvir
O eleitor de Ceilândia, Samambaia e Planaltina não é bobo. Ele ouviu promessa de segurança em 2018, em 2022 e vai ouvir em 2026.
A pergunta que cada candidato deveria responder é simples: se você ganhar, o que muda na vida de quem mora na QNM 36 de Ceilândia daqui a dois anos? Quem conseguir responder isso com honestidade vai chegar mais perto do que o eleitor periférico do DF precisa ouvir.