Eram 14h37 do dia 8 de janeiro de 2023 quando os primeiros manifestantes pularam as grades do Congresso Nacional. A câmera de segurança registrou. O mundo viu. E a Polícia Militar do Distrito Federal — 15 mil efetivos, uma das forças mais bem equipadas do país — ficou... olhando.

Três anos depois, o episódio ainda produz consequências. Inquéritos no STF. Processos administrativos na PMDF. Uma CPI na CLDF que apurou mais do que o governo queria revelar.

O que aconteceu — e o que ficou sem explicação

Os fatos objetivos são esses: na tarde de 8 de janeiro de 2023, grupos de manifestantes invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o STF. A PMDF estava acionada. Havia efetivo na Esplanada. O que não havia — ou não foi usado — foi decisão de intervir com força suficiente.

O STF concluiu que houve omissão e afastou o governador Ibaneis Rocha por 90 dias. O então comandante da PMDF foi exonerado. Inquéritos foram abertos.

As punições que vieram — e as que não vieram

A PMDF abriu 43 processos administrativos disciplinares. Resultado: 18 policiais receberam advertência, 9 foram suspensos, 4 foram exonerados. Zero prisões de policiais militares por ação ou omissão direta.

Suspensão de 30 dias para quem permitiu a invasão das três sedes dos poderes da República... pois é. O sistema de corregedoria policial tem dificuldade estrutural de punir seus próprios com rigor.

A percepção pública que mudou

Pesquisa do Instituto Pleno de fevereiro de 2026 mostrou que 54% dos moradores do DF têm pouca ou nenhuma confiança na PMDF — alta de 12 pontos percentuais em relação a dezembro de 2022. Entre moradores de Ceilândia, Samambaia e Planaltina, esse índice chega a 67%.

2026 e a segurança como pauta eleitoral

A questão que fica, independente de quem ganhe em outubro de 2026, é se o próximo governador terá coragem de fazer a conversa difícil dentro da corporação — sobre valores, sobre limites do papel policial, sobre neutralidade política.

Por enquanto, o 8 de janeiro vive nos inquéritos e na memória de quem viu ao vivo uma corporação inteira falhar numa tarde de domingo. Isso não some com troca de comandante. Leva mais tempo. E mais honestidade.