Em 2022, quando a reforma do ensino médio começou a chegar de fato às salas de aula brasileiras, a promessa era bonita: mais autonomia para o aluno escolher seu percurso, menos conteúdo obrigatório engessado. Quatro anos depois, no Distrito Federal de 2026, o que se encontra nas escolas é uma mistura de avanços pontuais, confusão generalizada e uma transição mal planejada.

Não estou dizendo que a reforma foi errada. Estou dizendo que foi feita do jeito errado — e que quem paga o preço disso, uma vez mais, são os alunos de escola pública.

O que o DF fez — e onde travou

Em levantamento feito pelo Sinpro-DF em outubro de 2025, 64% das escolas públicas do DF que oferecem ensino médio não conseguem disponibilizar todos os seis itinerários por falta de professor habilitado. Nas escolas de Planaltina e Brazlândia, esse número sobe para 78%.

"Me deram um PDF de 80 páginas e me disseram que eu agora ia trabalhar com projeto de vida no lugar de Sociologia. Não tive nenhuma hora de formação", disse uma professora de Ceilândia com 14 anos de rede.

O ENEM que já sente os efeitos

Os resultados do ENEM 2025 mostraram queda de 4,2 pontos na média geral dos candidatos do DF em relação a 2022. Em Ciências da Natureza, a redução foi de 7,8 pontos.

O que diz quem pensa em educação para 2026

A deputada federal Celina Leão, que como presidente da Comissão de Educação da Câmara acompanhou de perto os debates sobre o novo ensino médio, tem defendido ajustes na implementação sem rejeição do modelo. Ela destacou a necessidade de garantir que os itinerários formativos sejam ofertados de forma equitativa em todas as regiões administrativas.

O jovem que está no meio de tudo isso

Guilherme Ferreira, 17 anos, cursa o 3º ano do ensino médio numa escola pública de Samambaia. Quer fazer medicina. A escola não tinha professor de Física no segundo semestre de 2024. "Tive que pagar cursinho particular para não ficar para trás. R$ 280 por mês. Minha mãe trabalha de doméstica. Deu para aguentar, mas foi difícil."

O novo ensino médio chegou prometendo democratizar o acesso. Para o Guilherme de Samambaia, o que chegou foi uma reforma que exigiu que ele e a família pagassem de bolso o que a escola pública deveria estar entregando.