Jorge Messias defende autocontenção do STF em questões controversas durante sabatina
O advogado-geral da União Jorge Messias sustentou na quarta-feira (29) que o Supremo Tribunal Federal deve exercer cautela em assuntos que provocam cisões sociais. Durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Jorge Messias argumentou sobre a importância da moderação judicial em questões moralmente divisivas.
O indicado pelo presidente Lula para ocupar a vaga no STF enfatizou que tribunais constitucionais precisam ser prudentes ao implementar transformações em temas controversos. A posição reflete debate sobre os limites da atuação judicial em uma democracia.
Abertura institucional para melhorias
Em sua fala inicial aos parlamentares, Jorge Messias destacou a importância da disposição permanente do STF para aprimoramentos. O candidato alertou que a impressão pública de resistência à autocrítica nos tribunais superiores pode tensionar a relação entre jurisdição e democracia.
Segundo Jorge Messias, em uma República todos os Poderes devem aceitar regras e limitações. A declaração surge enquanto o Supremo debate a implementação de código ético para regular condutas dos magistrados.
O advogado-geral afirmou que exigências sociais por transparência e accountability não devem constranger os juízes. Para ele, o aperfeiçoamento institucional do STF neutraliza narrativas autoritárias que visam enfraquecer o Judiciário.
Atuação subsidiária em políticas
Jorge Messias advogou por função subsidiária do STF nas políticas públicas, rejeitando protagonismo ou substituição de gestores e parlamentares. A postura responde a críticas congressuais sobre alegadas interferências em competências legislativas.
Mas como essa autocontenção funcionaria diante de inércias do Legislativo?
O indicado defendeu que cortes constitucionais se legitimam também através de virtudes passivas, sendo cautelosas em mudanças que afetem divergências morais razoáveis da sociedade. O comportamento não expansivo, conforme Jorge Messias, fortalece a legitimidade democrática dos tribunais e diminui acusações de politização.
"Nem ativismo, nem passivismo. A palavra é equilíbrio", resumiu o candidato durante a sabatina.
Laicidade e convicções religiosas
Ao se declarar evangélico, Jorge Messias reafirmou a laicidade estatal como pilar fundamental. O indicado descreveu sua identidade religiosa como bênção, não como diferencial, defendendo neutralidade estatal em questões religiosas através de colaboração com todas as confissões.
Jorge Messias foi enfático ao declarar que magistrado que sobrepõe convicções religiosas à Constituição não pode exercer a judicatura. Segundo sua visão, é viável interpretar a Constituição com fé e não pela fé, reconhecendo a base ética cristã do texto constitucional.
Tramitação e perspectivas
A sabatina registrou 27 senadores inscritos para questionamentos. Jorge Messias necessita de 41 votos dos 81 parlamentares para confirmar sua nomeação ao STF. A aprovação dependerá de demonstrar equilíbrio entre posições pessoais e exercício imparcial da jurisdição.
Analistas constitucionais observam que o discurso de autocontenção pode buscar apaziguar alas conservadoras do Senado. Contudo, a aplicação prática dessa filosofia dependerá da dinâmica real dos julgamentos futuros. A experiência como advogado-geral e habilidade política de Jorge Messias serão fatores determinantes na avaliação senatorial de sua indicação para a mais alta corte do país.


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