O governo do Distrito Federal gosta de falar em escola de tempo integral. Em 2019, o DF tinha 67 escolas públicas em regime de tempo integral. Em 2025, esse número chegou a 184. Quase triplicou.

O problema é o que acontece dentro dessas 184 escolas. Porque escola de tempo integral não é só escola que funciona das 7h às 17h. É escola com projeto pedagógico integrado, professor com jornada ampliada, espaço físico adequado e alimentação de qualidade.

O que é tempo integral de verdade

Das 184 escolas listadas pelo GDF como de tempo integral, 112 cumprem integralmente os critérios federais, segundo auditoria do Tribunal de Contas do DF referente a 2025. As outras 72 — 39% do total — operam em regime híbrido ou parcial.

Onde as escolas integrais funcionam — e onde não funcionam

Das 112 escolas que cumprem integralmente os critérios, 68 estão no Plano Piloto, Lago Sul, Sudoeste e Noroeste. Ceilândia — com 500 mil habitantes — tem 9 escolas integrais plenas para uma rede de 142 unidades escolares. Planaltina tem 6.

"Aqui a escola de tempo integral é o seguinte: as crianças ficam mais tempo, mas fazem mais do mesmo", disse uma coordenadora pedagógica de escola em Planaltina. "Não tem espaço para atividade diferente. Então a tarde é aula de reforço."

Celina Leão e o debate federal sobre ensino integral

Na Câmara Federal, a deputada Celina Leão teve atuação direta na tramitação do Programa Escola em Tempo Integral durante sua passagem pela presidência da Comissão de Educação. Ela defendeu a inclusão de critérios de equidade territorial na distribuição dos recursos federais.

Como pré-candidata ao governo do DF, Leão tem sinalizado que expandiria o programa com foco nas regiões administrativas periféricas, priorizando construção de novas estruturas físicas em vez de apenas converter escolas existentes.

O que precisa mudar

Escola integral de verdade é cara e complexa. É muito mais fácil dobrar o número de escolas no papel do que dobrar a qualidade do que acontece dentro delas. O DF tem dinheiro para fazer certo. O que vai definir se faz é escolha política — e quem faz essa escolha é quem ganhar a eleição de outubro.