Entidades fluminenses estimam perda de R$ 20 bilhões no PIB com redistribuição de royalties
Fecomércio RJ projeta impacto de R$ 20 bilhões no PIB fluminense com redistribuição de royalties do petróleo. Entidade estima eliminação de 311 mil empregos no comércio estadual antes de julgamento no STF.
RedaçãoColaborador
04 de maio de 202621:17
A possível alteração nas regras de distribuição dos royalties do petróleo pode provocar retração de quase R$ 20 bilhões no Produto Interno Bruto do Rio de Janeiro. A estimativa foi apresentada pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio RJ) durante audiência pública realizada nesta terça-feira (28) na Assembleia Legislativa fluminense.
## Setor comercial projeta eliminação de centenas de milhares de empregos
Os cálculos da federação indicam eliminação de até 311 mil postos de trabalho no comércio estadual. A projeção considera impactos diretos e indiretos sobre a cadeia produtiva regional decorrentes da redução na arrecadação dos royalties do petróleo.
Durante o evento na Alerj, Antonio Florencio de Queiroz Junior, presidente da Fecomércio RJ, classificou os royalties como compensação pelos danos da exploração petrolífera. "Os royalties não são receita, são compensação. Dizer o contrário é uma desonestidade intelectual", declarou o dirigente.
A redistribuição dos royalties do petróleo será analisada pelo Supremo Tribunal Federal em 6 de maio. O julgamento envolve a constitucionalidade da Lei 12.734/12, que modifica os critérios de repartição dos recursos entre os entes federativos.
## Estado e municípios enfrentam perdas bilionárias
O procurador-geral do Rio de Janeiro, Renan Miguel Saad, apresentou números sobre o impacto financeiro da mudança. O governo estadual pode perder aproximadamente R$ 8 bilhões, enquanto os municípios fluminenses enfrentariam redução estimada em R$ 13 bilhões na arrecadação.
Segundo Saad, a legislação federal contraria preceitos constitucionais. A medida criaria desequilíbrios significativos para a gestão pública em diferentes níveis governamentais, argumentou o procurador durante a audiência.
O encontro reuniu representantes do governo estadual, deputados e prefeitos de cidades que podem ser afetadas pela redistribuição dos royalties do petróleo. A mobilização busca fortalecer a defesa dos interesses fluminenses antes do julgamento no STF.
## Manifesto será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal
O deputado André Corrêa (PSD), que preside a Comissão de Orçamento da Alerj, anunciou a elaboração de manifesto dirigido aos ministros do STF. O documento conta com apoio de entidades empresariais, prefeitos e parlamentares contrários à mudança.
Especialistas em direito tributário apontam que a questão central envolve a natureza jurídica dos royalties. A definição se esses recursos constituem compensação financeira ou receita pública redistribuível será fundamental para a decisão da Corte.
A Fecomércio RJ sustenta que o aumento do desemprego pressiona os serviços públicos municipais. Simultaneamente, a entidade alerta que a arrecadação local diminuiria, agravando a situação fiscal dos municípios fluminenses.
Qual seria o real alcance econômico dessa redistribuição? A federação comercial defende que os efeitos ultrapassam a simples transferência de recursos entre estados.
## Decisão judicial definirá critérios para federalismo fiscal
A audiência na Alerj integra a estratégia de defesa dos interesses fluminenses no STF. Os argumentos apresentados pela Fecomércio RJ e demais entidades serão confrontados com posições de outros estados beneficiários da redistribuição.
O julgamento marcado para maio estabelecerá precedente importante para debates futuros sobre federalismo fiscal no Brasil. A decisão dos ministros influenciará não apenas a distribuição dos royalties do petróleo, mas também discussões sobre repartição de outras receitas federais.
A eficácia da mobilização fluminense dependerá da capacidade de demonstrar os impactos constitucionais e econômicos da redistribuição dos royalties. O STF analisará se os argumentos técnicos e jurídicos apresentados justificam a manutenção das regras atuais de distribuição dos recursos petrolíferos entre os entes federativos.
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